Cena do crime
Putrefata é a carne desse ser
Que começa lentamente a decompor
Do meio-dia até o sol poer
Libera esse cheiro de bolor.
Saem de suas feridas
Larvas famintas e devoradoras
Deslizam em plasma embebidas
Caindo na poeira ou sobre folhas.
Brotam dos casulos as moscas
E rondam o local ruidosamente
Lambem toda a superfície e nas partes ocas
Começam a procriar sua semente
No líquido antes rubro e quente
A cena toda faz enjoar
E à noite a chuva cai sublime
Parece até querer lavar
Essa violenta visão do crime.